POR QUE ALTER EGO?
Porque nada mais vivificador do que espreitar o outro de mim mesmo, aquele que me coloca sob suspeita e me anima a criar expectativas combativas, transgressivas e, sobretudo, restauradoras.
Por isso, acreditamos no poder da restauração, da inovação e da criatividade como instrumentos capazes de romper o que está contido, amorfo, inibido, como uma onda inquieta e transbordante capaz de inaugurar novos fluxos de sentido, que dão à vida um revestimento libertário, avesso a tudo que nos sufoca e limita.
Nada melhor para vivenciar esta experiência do que um café ao ponto, quente e de aroma irresistível, uma filosofia cotidiana, um direito insurgente e uma política sempre combativa para impregnar o discurso sobre a vida de valores que dão aos indivíduos a possibilidade de se tornarem homens e mulheres.
Mas, também, para responder a uma necessidade de aglutinação e de expectativas congruentes de amigos.
Para fazer face à crise de valores éticos que nos inquieta e oprime.
Para responder à exigência de se colocar sob suspeita tudo o que parece normal e justificador.
Para nos preparar ao confronto de um tempo que se averigua cada vez mais perigoso para aqueles que querem permanecer livres e mais solidários.
Para alertar aos jovens do perigo que as grandes mídias representam no condicionamento de suas vidas, de tal forma que eles podem submergir a uma onda deletéria de cultura acrítica e manipuladora.
E, mais ainda, para levar a contento esta tarefa prioritária de revestir os espíritos inquietos de força libertária, capaz de criar novos instrumentos mentais indispensáveis à sobrevivência das inteligências que estão ameaçadas de morte.
O QUE É ALTER EGO?
Do ponto de vista literal, Alter Ego é uma locução substantiva que tem origem no latim "alter" (outro) e "ego" (eu), cujo significado nos se apresenta como "o outro eu". Em síntese, o alter ego é a representação de um outro eu da personalidade de uma mesma pessoa, com quem, às vezes, mantemos uma relação de cumplicidade ou de rejeição conflitual.
Do ponto de vista da literatura, o alter ego supõe a identidade oculta de uma personagem, um subterfúgio que funciona como uma estratégia usada pelo autor de uma obra literária para se revelar indiretamente aos seus leitores.
Na psicanálise, o alter ego se revela como um outro da personalidade de alguém, uma outra identidade inconsciente que se revela através das demandas dos afetos e do desejo, e que é nutrida por um agir pulsional que se joga no mundo e na vida de forma, às vezes, dissociativa, inaugurando fontes subterrâneas de sofrimento e de prazer.
Às vezes, também, o alter ego aparece associado a uma pessoa muito próxima e íntima, que inspira demasiada confiança, representando um amparo e transmitindo a impressão de que poderia assumir atitudes similares em diversas situações.
Aqui, entretanto, o sentido de alter ego que propomos é o de um significante atemporal que se inscreve como uma silhueta de prontidão, de ajuste, onde a linguagem busca agenciar as noções de forma clara e precisa, com uma orientação geral para o realismo, reorganizando tudo o que tenha por base o relativismo e o subjetivismo contextual do ambiente.
Na realidade, não teremos que fabricar princípios, nem tampouco inventar realidades. Somente interpretá-las e emprestar a elas uma atualização de sentidos. Para que quando outras pessoas olharem para nós, percebam que através daquilo que nos propomos a ser, há algo que nos fraciona, nos divide, pois é aí mesmo que podemos encontrar a persona alternativa do alter ego de cada um de nós, e que se apresenta sempre como algo insondável, que se mostra e se oculta, que nos aproxima e nos afasta, e que também é aquilo que a pessoa não revela sobre si mesma.
E, aí, podemos perguntar: "Onde se esconde então o alterego? Entre as várias franjas da psique? Justamente no mais profundo do ser, onde temos grande dificuldade de mergulhar e divisar o que parece não ser. Mesmo, assim, é nesta face sem expressão definida, que as pessoas realmente depositam sua confiança.